sábado, 17 de março de 2012

ARENA CONTA ZUMBI

Arena Conta Zumbi é um musical em dois atos de autoria de Boal, Guarnieri e Edu Lobo. É considerada uma das mais importantes obras da dramaturgia brasileira. Seu texto foi terminado entre 1964 e 1965, ou seja, no contexto do golpe de 1964 que instituiu a ditadura militar. No fragmento abaixo, Zambi dialoga com os negros aquilombados:


ZAMBI: Ser livre não é encostar o corpo. Ser livre é
poder trabalhar e vigiar e poder continuar sendo senhor
de si. Quem procura na vida só o que é doce, não vai ter
nem doce e nem fel e sem rezina, homem perdido pra
vida, escravo no fato e na verdade.
TODOS: Dunga tará, sinherê!
ZAMBI: Pois que Zambi é rei, Zambi: vai dar as ordens.
É no trabalho que um da gente pega o sol com a mão. É
no trabalho que se faz o mundo mais de jeito. Em cada
coisa que a mão livre do negro encostar, novas coisas
vão nascer. Não vamos viver só das coisas já nascidas,
das coisas que Deus deu. Vamos fazer o mundo mais
de nosso jeito.
NICO – Viva a lei de Zambi.
TODOS: Dunga tará, sinherê!

ZAMBI: Se a mão livre do negro tocar na argila, o que é
que vai nascer?
TODOS: Vai nascê pote pra gente beber.
nasce panela pra gente comer,
nasce vasilha, nasce parede.
nasce estatuinha bonita de se ver.
ZAMBI: Se a mão livre do negro tocar na onça, o que é
que vai nascer?
TODOS: Vai nascer pele pra cobrir nossas vergonha,
nasce tapete pra cobrir o nosso chão, nasce caminha
pra se ter nossa ialê e atabaque pra se ter onde bater.
ZAMBI: Se a mão livre do negro tocar na palmeira, o
que é que vai nascer?
TODOS: Nasce choupana pra gente morar,
e nasce rede pra gente se embalar
nasce as esteira pra gente deitar
nasce os abano pra gente abaná.


http://www.youtube.com/watch?v=LszFZd_aLOo&feature=related

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