sábado, 20 de agosto de 2011

TEXTOS DE ABSOLUTISMO







RICHELIEU




O Cardeal de Richelieu dirige-se ao rei da França: “Quando Vossa Magestade resolveu dar-me ao mesmo tempo tanto a entrada no seu Conselho quanto grande parte de sua confiança para a direção dos negócios, posso dizer na verdade que os huguenotes partilham o Estado, que os Grandes comportavam-se como se não fossem seus súditos, e os mais poderosos governadores das Províncias como se fossem soberanos nos seus cargos...Prometi-vos empregar toda a minha indústria, e toda a autoridade que vos agradasse dar-me, para arruinar todos os súditos e erguer vosso nome no lugar em que deveria estar entre as nações estrangeiras.” (Testamento Político)

JACQUES BOSSUET

"Todo poder vem de Deus. Os governantes, pois, agem como ministros de Deus e seus representantes na terra. Resulta de tudo isso que a pessoa do rei é sagrada e que atacá-lo é sacrilégio. O poder real é absoluto. O príncipe não precisa dar contas de seus atos a ninguém." (Citado em Coletânea de Documentos Históricos para o 1º grau. São Paulo, SE/CENP, 1978, p. 79.).

"Três razões fazem ver que este governo é melhor. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por si próprio... a segunda razão... é que esse governo é o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem... A terceira razão... o trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus...

“Deus estabelece os reis como seus ministros e reina através deles sobre os povos... Os príncipes agem, portanto, como ministros de Deus e seus lugares-tenentes sobre a Terra... É por isso que vimos que o trono real não é o trono de um homem, mas o próprio trono de Deus... Aparece de tudo isso que a pessoa de rei é sagrada e que atentar contra sua vida é um sacrilégio. Deus fê-lo ungir por seus profetas com uma unção sagrada, como faz ungir os pontífices nos altares.”


“...como não há poder público sem a vontade de Deus, todo governo, seja qual for sua origem, justo ou injusto, pacífico ou violento, é legítimo; todo depositário da autoridade, seja qual for, é sagrado; revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio”.

MAQUIAVEL

"Voltando às outras qualidades atrás mencionadas, digo que todo o príncipe deve desejar muito ser considerado compassivo, e não cruel. No entanto, deve acautelar-se e não aplicar mal sua clemência(...) Portanto, não deve preocupar o príncipe o fato de, para conservar todos os seus súditos em união e obediência, ganhar fama de cruel, pois será muito mais compassivo do que os príncipes que, por excesso de clemência, deixam alastrar as desordens (...) Daqui nasce um dilema: é melhor ser amado que temido, ou o inverso? Respondo que seria preferível ser ambas as coisas, mas, como é muito difícil conciliá-las, parece-me muito mais seguro ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas.”
( MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Lisboa, Europa-América, 1976


"O príncipe não precisa ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso, bastando que aparente possuir tais qualidades. (...) Um príncipe não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo frequentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião (...). O príncipe não deve se desviar do bem, se possível, mas deve estar pronto a fazer o mal, se necessário. (Adaptado de Nicolau Maquiavel, O Príncipe, em Os Pensadores, São Paulo, Nova Cultural, 1996, pp. 102-103)


JEAN BODIN

"É praticamente impossível treinar todos os súditos de um [Estado] nas artes da guerra e ao mesmo tempo mantê-los obedientes às leis e aos magistrados." (Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578).


THOMAS HOBBES


“…a única maneira de erigir-se um poder, capaz de defendê-los [os homens] contra a invasão e danos infligidos, uns contra os outros (...) consiste em conferir todo o poder a força a um só homem.”


LUÍS XIV

“Todo poder, toda autoridade residem na mão do rei e não pode haver outra autoridade no reino a não ser a que o rei aí estabelece. Tudo que se encontra na extensão de nossos Estados, de qualquer natureza que seja, nos pertence (...) os reis são senhores absolutos e têm naturalmente a disposição plena e inteira de todos os bens que são possuídos tanto pelas pessoas da Igreja como pelos seculares (...) Aquele que deu reis aos homens quis que os respeitassem como seus lugares-tenentes, reservando apenas a si próprio o direito de examinar sua conduta. Sua vontade é que qualquer um nascido súdito obedeça sem discernimento; e esta lei tão expressa e tão universal não foi feita em favor dos príncipes apenas, é salutar ao próprio povo ao qual é imposta”.
(Memórias Para a Instrução do Delfim)

TEXTOS: RENASCIMENTO CULTURAL



GALILEU GALILEI

"... tenho sido, durante muitos anos, um aderente à teoria de Copérnico. Isto me explica a causa de muitos fenômenos que são ininteligíveis por meio de teorias geralmente aceitas. Eu tenho coligido muitos argumentos para refutar estas últimas, mas eu não me arriscaria a levá-los à publicação. Há muito tempo que estou convencido de que a Lua é um corpo como a Terra. Descobri também uma multidão de estrelas fixas, a princípio invisíveis, ultrapassando mais de dez vezes as que se podem ver a olho nu, formando a Via Láctea." (Carta de Galileu a Kepler, 1597.)

THOMAS MORUS

"Efetivamente, em todos os pontos do reino onde se obtém a mais fina lã, portanto a mais preciosa, os senhores, os nobres e até os santos abades não se contentam mais com os rendimentos e produtos que seus antepassados costumavam retirar de seus domínios. Não lhes é mais suficiente viver na preguiça e nos prazeres; estes homens, que nunca foram úteis à sociedade, querem-lhe ainda ser nocivos. Não deixam nenhuma parcela de terra para ser lavrada; toda ela transformou-se em pastagens. Derrubam casas, destroem aldeias, e, se poupam as igrejas, é, provavelmente, porque servem de estábulos a seus carneiros[...] Assim, para que um insaciável devorador, peste e praga de seu próprio país, possa abarcar num único campo milhares de braças, uma quantidade de pequenos agricultores se vêem escorraçados de seus bens. Uns saem enganados, outros são expulsos à força; alguns, enfim, cansados de tantos vexames, se vêem forçados a vender o que possuem. Enfim, esses infelizes partem, homens e mulheres, casais, órfãos, viúvos, pais com os filhos nos braços. Todos emigram, largam seu lugares, os lugares onde viveram, e não sabem onde se refugiar. Toda a sua bagagem, que pouco valeria se tivessem a possibilidade de esperar um comprador, é cedida a preço vil, dada a necessidade de dela se desfazerem. Logo os veremos errantes, privados de qualquer recurso. Só lhes resta roubar e serem enforcados, segundo as regras." Thomas Morus, A Utopia. 2a ed., Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1982, p. 16.

"As tropas inumeráveis de carneiros que se espalham atualmente por toda a Inglaterra, constituidas por animais tão doces, tão sóbrios mas (que) são, no entanto, tão vorazes e ferozes que comem até pessoas e despovoam os campos, as casas e as aldeias. Com efeito, em todas as partes do reino, onde se produzem as mais finas e preciosas lãs, ocorrem, para disputar a terra, os nobres, os ricos, e mesmo os santos abades."A Utopia, de Thomas Morus, publicado em 1516

"Assim o avarento fecha, num cercado, milhares de jeiras; enquanto que honestos infelizes abandonam (...) Então vendem a baixo preço o que puderam carregar de seus trastes (...) Esgotados esses fracos recursos, que lhes resta? O roubo, e, depois, o enforcamento segundo as regras.” (Thomas Morus, Utopia)


PICO DELLA MIRANDOLA

“ Eu te coloquei no centro do mundo, a fim de poderes inspecionar, daí, de todos os lados, da maneira mais cômoda, tudo que existe. Não te fizemos nem celeste, nem terreno, mortal ou imortal, de modo que assim, tu, por ti mesmo, qual modelador e escultor da própria imagem, segundo tua preferência e, por conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar.” (Fala de Deus a Adão. Pico della Mirandola, 1486. PICO DELLA MIRÁNDOLA, Giovanni. A Dignidade do Homem. São Paulo. 1988.

“Nós, pintores, queremos, pelos movimentos do corpo, mostrar os movimentos da alma (...) Convém, portanto, que os pintores tenham um conhecimento perfeito dos movimentos do corpo e os aprendam na Natureza para imitar, por mais difíceis que sejam, os múltiplos movimentos da alma.” (Leon Batista Alberti, Tratado Della Pintura, citado por TENENTI, Florença na época dos Médici).

SHAKESPEARE

"Que obra-prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Como é infinito em faculdades! Em forma e movimentos, como é expressivo e maravilhoso! Nas ações, como se parece com um anjo! Na inteligência, como se parece com um deus! A maravilha do mundo! O padrão de todos os seres criados!" Hamlet,William Shakespeare, trad., São Paulo: Martin Claret, 2002, p.47.

LEONARDO DA VINCI

“O homem é o modelo do mundo. A experiência é a mestra das coisas.” Leonardo da Vinci

“Já fiz planos de pontes muito leves (...). Conheço os meios de destruir seja que castelo for (...). Sei construir bombardas fáceis de deslocar, carros cobertos, inatacáveis e seguros, armados com canhões. Estou (...) em condições de competir com qualquer outro arquiteto, tanto para construir edifícios públicos ou privados como para conduzir água de um lugar para outro. E, em trabalhos de pintura ou na lavra do mármore, do metal ou da argila, farei obras que seguramente suportarão o confronto com as de qualquer outro, seja ele quem for.”
[Leonardo da Vinci (retirado de Jean Delumeau, A Civilização do Renascimento, Lisboa, Editorial Estampa, 1984, vol. 1, p. 154)]





“Aqueles que se entregam à prática sem Ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme e sem bússola. Sempre a prática deve se fundamentar na boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira Ciência se não passar por demonstrações.” (Leonardo da Vinci)





ERASMO DE ROTTERDAM






“Rivais dignos dos príncipes, os soberanos pontífices, os cardeais e os bispos (...) Hoje (...) os bispos apenas se preocupam em apascentar-se a si próprios, deixam o cuidado do rebanho de Cristo (...) esquecem que a palavra bispo significa trabalho, vigilância, solicitude. Servem-se apenas de tais qualidades quando pretender receber dinheiro (...) Se os Sumos Pontífices, que estão no lugar de Cristo, se esforçassem para imitá-lo na pobreza, nos trabalhos, na sabedoria, no sofrimento e no desprezo das coisas terrenas (...) não seriam eles os mais infelizes dos homens? ... Vede quantas riquezas, honras, troféus, ofícios, dispensas e impostos, indulgências, cavalos, mulas, guardas e prazeres (...) Ora, tudo deveria ser substituído pelos jejuns, vigílias, lágrimas, orações, sermões, estudos e penitências e mil outros incômoos enfadonhos.” (Erasmo de Rotterdam, O Elogio da Loucura)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

UM EXEMPLO DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Um dos muitos comentários importantes de postagens neste blog foi feito pela Professora Thaís Cavalcante. É fundamental entrar em seu blog "INSUSTENTÁVEL", ali, do lado direito deste, e procurar o depoimento de um homem negro para a BBC de Londres.
Nós, homens e mulheres já descemos das árvores. Temos as mãos de afago, face de sorriso, braços de abraços, boca de beijos, voz de fala mansa, olhar de esperanças. Somos, sim, dotados de um grau de humanidade e de humanismo.
Todavia, sabemos, "todo homem é humano, mas alguns se esquecem disso", nos dizeres de Augusto Boal. E sabemos também que a palavra é poderosa. A palavra é um soldado libertador. O conjunto organizado de palavras é um batalhão libertário. Um livro de palavras é um exército. Não fosse assim, a Inquisição de antes de ontem não teria queimado livros, nem seus autores, nem seus leitores. As ditaduras militares, as Inquisições de ontem, não teriam invadido bibliotecas, redações, palcos, universidades. E a Inquisição de hoje invade a Internet, para evitar que os afagos os sorrisos, os beijos, as esperanças humanas deixem de ser individuais, já que nunca foram, e tomem corpo nas praças, nas ruas, nas fábricas, nos campos. Na Síria, no Egito, na Líbia, em Madri, em Londres, em Manchester...
A bala que matou o negro nas ruas de Londres matou seu corpo, é inexorável. Mas não matou sua alma sofrida e humilhada pelo sistema policial repressor, defensor do estabelecido, surdo, míope, cego, brutal como animal acuado em cima da árvore.
Para nós, homens humanos, a indignação invade o coração, pois temos coração. E invade a alma, pois temos alma. Mas, por enquanto, temos as mãos de carícias. E a bala que atingiu o negro é o não-pão que atingiu a criança da Somália. E as mãos de carícias, por enquanto, deixam-se cair flácidas de lágrimas pelo outro que não é outro senão nós mesmos, os homens.
Por enquanto, apenas por enquanto...

http://xucurus.blogspot.com/2011/08/excelente-video-fala-de-um-senhor-negro.html

domingo, 14 de agosto de 2011

DÍVIDA EXTERNA E DÍVIDA ETERNA












“Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos. O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros. Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que, entre os anos 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos de minha terra. (...)
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus. Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, perguntamo-nos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhe adiantamos. Lamentamos dizer que não. Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros Reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN. (...)
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros. É para seu próprio bem. Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros ao ano que vocês impõem ao Terceiro Mundo. Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento ao ano sobre os 500 anos. Lamento dizer, mas a dívida europeia para conosco, índios, pesa mais que o planeta Terra!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo. Entretanto, há sempre uma saída: entregue-nos a Europa inteira como primeira prestação de sua dívida histórica.”




(Atribuído ao índio Guaicaipuro Cautémoc ao reinvidicar opagamento da “dívida externa”da Europa

domingo, 7 de agosto de 2011

RACISMO: UMA DAS ORIGENS


No Antigo Testamento há uma passagem importante, usada como pretexto ideológico para o racismo: “Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo.” (Gênesis 9:20 a 27)
Segundo a Bíblia, o repovoamento do mundo após o dilúvio foi iniciado pela prole de Noé: Sem, Jafé e Cam e suas esposas. Uma interpretação cristã produziu o seguinte mapa, datado de 1472:












  • No mapa, a geografia se coloca a serviço da religião. A Terra é dividida em três partes (separadas por um “T” ou por uma cruz), a Europa, a Ásia e a África, circundadas pelo oceano, o “MARE OCEANVUN”. Jafé e sua prole povoaram a Europa, Sem e sua prole povoaram a Ásia e Cam e sua prole povoaram a África.

    Pela interpretação dada à passagem bíblica, Noé, embriagado, adormeceu despido. Jafé e Sem trataram de cobri-lo, sem olharem para sua nudez, em sinal de respeito. Cam, pai de Canaã, riu do estado de seu pai. Noé amaldiçoou Cam, condenando sua descendência à escravidão. E Jafé e Sem seriam senhores dos descendentes de Cam.

    Portanto, o fundamento ideológico para justificar a escravidão de africanos, os “filhos de Cam”, estava lançado. E a elaboração da consciência racista incluía a divisão dos não cristãos em duas categorias, o pagão e o infiel. O primeiro deveria ser convertido e o segundo, combatido.

    A partir do século XV, a Revolução Comercial institucionalizou o renascimento da escravidão. O capitalismo em formação resgatou a escravidão antiga (da Grécia e de Roma), praticamente inexistente na Idade Média europeia, cuja força de trabalho era a servidão.
    Na escravidão moderna, o escravo tinha duplo valor, valor de troca e valor de uso. O primeiro era o valor comercial, de mercado, do tráfico humano. O segundo era o do trabalho escravo produzindo mercadorias para o sistema capitalista comercial. Assim, o escravo, por ter duplo valor, era duplamente gerador de capital, acumulado no centro do sistema. A justificativa ideológica se casava com os interesses da acumulação primitiva de capital. Ou, para ser mais preciso, a superestrutura se adequava às bases materiais, infraestruturais.

    As justificativas bíblicas deram origem a outros argumentos, ditos “científicos”, classificando a humanidade em “raças”. Um dos mais influentes teóricos racistas foi o francês Joseph Arthur de Gobineau, que viveu entre l816 e l882. Em seu Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas defende a superioridade da “raça ariana” e trata a miscigenação como impedimento para um povo atingir o estágio de civilização.

    No caso do Brasil, a escravidão institucionalizada existiu até 1888. Mas, a partir da metade do século XIX, o trabalhador imigrante europeu passou a substituir o trabalho escravo, principalmente nas fazendas de café do Oeste Paulista. Entre as razões para justificar a imigração estava a “necessidade de embranquecer a população”. O próprio Gobeneau, que morou no Rio de Janeiro entre 1869 e 1870 a serviço de seu país, afirmou que a mestiçagem impediria eternamente o progresso no Brasil.



  • Teses como essas plasmaram muitos intelectuais do final do Império e início da República. A intelectualidade se colocava a favor ou contra nos debates privados e públicos, nos cafés, nos jornais, nas câmaras políticas, nos gabinetes.
    Em 1895, o quadro “A Redenção de Cam” (de Modesto Brocos, espanhol radicado no Brasil) foi premiada na Escola Nacional de Belas Artes com a medalha de ouro.
    Na pintura, há uma idosa negra com as mãos para o céu, agradecendo o fato de seu neto ter nascido branco, visto ser fruto da relação de um homem branco com uma mulher mestiça.
    O artista soube captar perfeitamente o desejo elitista de embranquecimento da população. E as teses racistas se consolidaram, principalmente nos ciclos formadores de opinião, como a Escola Nacional de Belas Artes. Para as elites, a população brasileira deveria ser como a europeia: branca, ariana, filha de Jafé.









terça-feira, 2 de agosto de 2011

BRASIL CRESCE E SÃO PAULO ENCOLHE

Publicada por Conceição Lemes em 19 de julho de 2011 (10:24) na Você escreve
do blog SeaRádioNãoToca
Os jornais do último sábado trouxeram notícias que apontam que a cidade de São Paulo já não é mais o destino preferido dos nordestinos, que preferem permanecer lá ou migrar para outras regiões que não São Paulo.
De um lado, isso se deve à melhoria das condições de vida no Nordeste e Centro-Oeste. De outro, à deterioração das condições de vida, especialmente na capital paulista, cujos símbolos poderiam ser o trânsito caótico, a superlotação do metrô e a insegurança permanente do cidadão.
Além do retorno de migrantes e fuga de engenheiros e mão-de-obra qualificada para o Nordeste e outras regiões do país, essa situação da capital paulista tem levado à expansão das cidades médias do estado de São Paulo, como Sorocaba e Jundiaí.
Essa mudança no movimento populacional se relaciona ao crescimento do mercado consumidor no Nordeste e demais regiões e à perda, pelo Sudeste, de fatia do mercado nacional. Matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 1º de maio de 2011, projeta que a região Sudeste perderia algo como R$ 12 bilhões.
O programa “Luz para Todos”, o crescimento do emprego (em várias regiões já vivemos o pleno emprego), as políticas sociais, como a bolsa família e aumento real de quase 50% do salário mínimo, e outras políticas levaram à criação do mercado de massas e à inclusão de milhões de pessoas.
Outro indicador da perda da pujança paulista apareceu na matéria do jornal Folha de S. Paulo, que afirma:
“A diferença entre os salários de São Paulo e do resto do Brasil está diminuindo. E, em algumas regiões e setores, ela já desapareceu.
Levantamento do IBGE comparando o rendimento médio dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo com os de outras cinco — Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador — mostra que em todas houve redução da diferença entre 2003 e 2011.
Isso aconteceu porque os salários dos paulistanos e dos habitantes dos municípios vizinhos cresceram em ritmo menor do que os dos trabalhadores das outras regiões metropolitanas.
No Rio, a remuneração média aumentou mais -chegou a R$ 1.682 em fevereiro, superando em R$ 45 a de São Paulo (R$ 1.637)”.
Segundo o blog Transparência SP, “constata-se o baixo crescimento dos rendimentos médios dos paulistanos em relação a outras capitais do país. Reforça-se, mais uma vez, a falta de políticas de desenvolvimento no Estado de SP”.
A melhoria salarial das outras regiões e a carência de mão-de-obra, com a elevação do salário dos mais pobres, contrastam com o discurso da elite paulista que prega a sua supremacia política. Afinal, em seu imaginário, são os doutores como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que devem governar, e os nordestinos devem ser expulsos de São Paulo.
Curiosamente são os próprios nordestinos que, por não aguentarem mais a deterioração da vida em São Paulo, estão voltando para os seus estados, tal como queria a elite. Ironicamente, são os ricos e classe média paulista que agora vivem lamentando que não consigam mais empregadas domésticas, eletricistas, pedreiros e outros serviços. E começam a perceber que a vida sem eles é mais difícil…..
Todas essas considerações reforçam o cenário que já foi desenhado em texto publicado no Viomundo, mostrando que a economia paulista perdeu R$ 128 bilhões de 1995 a 2008.
A perda da vitalidade econômica paulista tem trazido outros subprodutos, como o crescimento de movimentos separatistas e de grupos de características neonazistas que, segundo reportagem do jornal Agora, chegariam a 250 somente na Grande São Paulo. Infelizmente, eles têm incrementado ações racistas e xenófobas contra nordestinos e homossexuais. E parte do tom de ódio da campanha de 2010 do candidato José Serra (PSDB) pode ser entendido nesse contexto.
Matéria tirada do Viomundo - O que você não vê na mídia - http://www.viomundo.com.brLink da matéria: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/brasil-cresce-sao-paulo-encolhe.html

CHINA: GUERRAS CONTRA O IMPERIALISMO






O Império Chinês foi um dos palcos do neocolonialismo e imperialismo. Europeus e norte-americanos tinham enormes interesses na região. A luta contra o domínio estrangeiro levou às Guerras do Ópio e à Guerra dos Boxers.

A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO (1839/1842)

A economia chinesa é secularmente, agrária, mas seu artesanato era apreciado e objeto de comércio internacional. No início do século XIX, o porto de Cantão era o único que podia comercializar com o exterior.
Os comerciantes ingleses levavam ópio da Índia para a China e tinham interesses em ampliar seus negócios. Em 1839, o governo chinês confiscou 20 mil caixas de ópio dos depósitos britânicos em Cantão e as atirou ao mar.
No ano seguinte, o chanceler britânico, Lord Palmerston, mandou atacar a China. Os ingleses sitiaram algumas áreas e ameaçaram Nanquim e as comunicações com a capital.
A capitulação chinesa levou ao Tratado de Nanquim, em 1842, o primeiro dos tratados desiguais, pelo qual a Inglaterra recebia Hong-Kong, a abertura de cinco portos chineses e enorme indenização de guerra.

A SEGUNDA GUERRA DO ÓPIO (1856/1860)

Em 1856, mais uma vez as forças imperialistas (ingleses e franceses) iniciam a guerra sob o pretexto de que o governo chinês abordou um navio inglês carregado de ópio.
Foi imposto à China o Tratado de Tianjin, pelo qual os portos chineses seriam abertos ao comércio com o Ocidente, garantiam-se direitos extraterritoriais e liberdade de ação aos comerciantes e missionários ocidentais.

O BREAK-UP

A partilha da China (Break-up) em áreas de influência foi consolidada após a Guerra Sino-Japonesa (1894-95), conflito que também assinala a emergência do Japão como potência imperialista.

A GUERRA DOS BOXERS (1899/1900)

A Sociedade dos Punhos da Justiça e da Concórdia desencadeou um movimento anti-ocidental e contra a dinastia Manchu, na província de Shandong.
Tinha suas origens na pobreza rural, no desemprego, na miséria. Os boxers, como são conhecidos, atacaram missionários, chineses e cristãos, invadiram bens estrangeiros e cercaram Beijing.
Foram sufocados por forças estrangeiras( Reino Unido, EUA, França, Japão Rússia e Alemanha) que ocuparam e saquearam a capital.
Mais uma vez, pelo Protocolo Boxer, a China foi obrigada a pagar pesadas reparações aos estrangeiros, aumentando a influência imperialista.