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terça-feira, 29 de julho de 2014

VIAGEM A CUBA

  
  A voz anunciou o pouso em Havana, tempo bom, temperatura elevada. Para nossa surpresa, aplausos, muitos aplausos, aos quais juntamos os nossos.

     Já no taxi, a explicação do motorista:

     - Sim, o aplauso acontece sempre que companheiros cubanos voltam para casa, voltam para a pátria! - Assim começou nossa visita a Cuba.

     No caminho, até o centro de Havana, muitos cartazes, no Brasil chamados de outdoors. Não vendiam tênis, nem batom. Também não anunciavam lançamentos de edifícios de apartamentos, nem de escritórios. Exortavam a Revolução. Por todos os lugares pelos quais passamos, por todas as estradas, por todas as cidades e pequenos povoados, cartazes sobre a Revolução.

     Nossa hospedagem foi em casas de famílias. Em Havana, ficamos em duas delas, outra em Santa Clara e outra mais em Trinidad. Foi importante essa opção, para conhecermos as pessoas, o que fazem, o que pensam, como vivem. Pode haver artificialidade, mas não como são os hotéis, com seus gerentes, seus copeiros, seus porteiros, seus camareiros. Na casa, todas as funções são feitas pelas pessoas da própria família.

     Especialmente em Havana, entre a rua e a casa não há fronteiras, apenas paredes. As pessoas ficam nos balcões ou mesmo na rua, na porta das casas, conversam, discutem, cuidam dos filhos, seus e dos outros.

     Nos edifícios mais antigos – e, quase todos, são muito antigos – a fachada mal tratada esconde um interior surpreendentemente grande, com azulejos decorados nas paredes. Janelas, azulejos e móveis nos remetem aos anos 50 ou 60 do século passado. Com certeza, no mesmo endereço (ou dirección, como eles dizem) havia apenas uma família, antes da Revolução. Hoje, duas ou três compartilham o espaço e ainda é possível hospedar e servir turistas.

     Nas ruas, bicicleta, bicitaxi, cocotaxi, mototaxi, taxi antigo, taxi novo, carruagem puxada por cavalo, ônibus antigo, ônibus novo e carro novo convivem na turbulência urbana com os pedestres. Para o olhar adestrado de um turista, tudo indica que haverá ali, na próxima esquina, um acidente grave. Contudo, como num conto da fada, todos foram felizes para sempre.
Moros e Cristianos


     O café da manhã é farto e simples: frutas, sucos, café, leite, pão, manteiga, goiabada pastosa, uma pequena tortilla. O almoço é mais barato nos restaurantes controlados pelo Estado, mas há muitos lugares particulares. Há pratos deliciosos, do arroz com feijão (“moros y cristianos”) à lagosta (Cuba tem fazendas produtoras), passando pela “ropa vieja”, com carne vermelha desfiada. Particularmente, realizei um sonho iniciado na década de 1970: almoçamos no El Conejito, em Havana. Das frutas por nós desconhecidas, gostamos de uma chamada mamoncillo.

     Estivemos em muitos pontos turísticos em Havana, em Santa Clara e na região entre Havana e Piñar del Rio. Vimos muita terra produzindo arroz e milho e fazendas criadoras de camarão, de lagosta e de pescado. Não vimos canaviais por onde passamos. Não vimos fumo, pois é plantado em outros meses.

     Compramos alguns livros e um álbum de figurinhas sobre a Revolução. Compramos lembrancinhas, como bonés, instrumentos musicais. Paramos em Viñales, em uma finca produtora de tabaco. O charuto é produzido artesanalmente. Tivemos a felicidade de acompanharmos o processo inteiro.

     Fizemos uma viagem de ônibus, de Havana a Santa Clara. Dali fomos de carro a Trinidad e voltamos a Havana de ônibus. Passamos por pequenas povoações e por cidades maiores. Em todas elas, algo em comum: Escola Primária, Policlínica e CDR (Comitê de Defesa da Revolução). Conhecemos uma Escola Primária em Trinidad e uma Policlínica em Havana. Conversamos com alguns cidadãos sobre o CDR, entre eles, um ex-guerrilheiro dos tempos de Che, em Santa Clara.

Memorial a Che Guevara
em Santa Clara
      



 Há uma forte consciência política dos efeitos do bloqueio econômico (que vem desde 1962) e da vitória do povo sobre os invasores contrarrevolucionários na Baía dos Porcos. Há consciência dos avanços na educação, na saúde, nos esportes.


     Mas há também um descontentamento com a situação econômica, com a adoção de duas moedas, uma conversível em moeda estrangeira e outra não. Os salários são pagos em CUP (peso não conversível), enquanto o CUC, que vale aproximadamente 26 CUPs, é a moeda conversível.  A Assembleia Nacional está estudando medidas para a reunificação dessas moedas.

     Novas reformas estão sendo colocadas em prática, como a autorização para a compra e venda de automóveis e de residências e o fim da necessidade de autorização para o cubano sair do país. Outra medida modernizadora é a Lei de Investimentos Estrangeiros em Cuba, regulando a entrada de capital externo nos negócios da ilha.




     Um grande investimento está sendo feito pelo BNDES no porto de Mariel, distante 40 quilômetros de Havana e inaugurado em janeiro de 2014. O Brasil consolida-se como o terceiro maior parceiro de Cuba, atrás da Venezuela e da China. Em Mariel, de estrutura similar às zonas especiais da China, o capital externo aplicado pode chegar a 100%. Como os Estados Unidos da América ainda não derrubaram o bloqueio econômico, outras economias mundiais avançam como parceiros das grandes mudanças em curso em Cuba.

     A liberalização da economia não pode ser confundida com liberalização política. O centralismo de Estado continua, com partido único, o Partido Comunista Cubano.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

HISTÓRIA DA AMÉRICA - REVISÃO

Para acompanhar esta aula, tenha em mãos o material de uso em sala de aula, livros, apostilas, anotações de classe. Tenha também um caderno para anotações. Havendo dúvidas, use este blog. Bom estudo, ouvindo Brahms.



sábado, 21 de julho de 2012

POPULISMO NA AMÉRICA LATINA


                                    O COLAPSO DAS OLIGARQUIAS 

   Durante as três primeiras décadas do século XX, as oligarquias agroexportadoras dominaram o poder na América Latina. No plano das relações internacionais, os governos estavam subordinados ao imperialismo, principalmente ao inglês. Afinal, como essas oligarquias eram exportadoras de gêneros primários, não podiam seriamente se incompatibilizar com os compradores internacionais. O Estado era, assim, a imagem e a semelhança dos interesses dessas oligarquias e das forças do industrialismo imperialista externo.
     A Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) envolveu as potências industriais que, pelo esforço de guerra, não puderam manter seu nível de exportação de industrializados para as áreas satélites. Enquanto suas exportações declinavam, suas importações de matérias primas, insumos e alimentos aumentava.  Na periferia, ocorreu o processo de substituição de importados e a fábrica chegou, embora com atraso de, pelo menos, um século. Com a fábrica, veio a urbanização e o crescimento do proletariado urbano. Veio também a burguesia urbana, a princípio umbilicalmente ligada às oligarquias tradicionais. E cresceram as classes médias urbanas, ligadas à expansão dos serviços públicos, do comércio varejista e do setor de serviços.     Independentemente de sua vontade, as elites agrárias dominantes viam crescer classes sociais (proletariado urbano, burguesia industrial e classes médias) que, enquanto classes, e de maneira mais ou menos intensa, lhe fariam oposição.
     A década de 1920 foi particularmente grave para o poder oligárquico. Por um lado, “um novo fantasma” assustava o mundo capitalista: a Revolução Bolchevique de 1917 e a vitória dos Russos Vermelhos sobre os Russos Brancos e seus aliados capitalistas na Guerra Civil ocorrida entre 1918 e 1921.
 Por outro lado, o liberalismo clássico dava sinais de esgotamento em função de suas contradições estruturais, a ausência do controle estatal sobre a economia. A crise, não sendo atacada em seu início, estourou em 1929 e se prolongou pelo período da “Grande Depressão”. E, evidente, o centro do sistema capitalista reduziu seus investimentos e suas importações de produtos primários. Embora não tenha sido a causa determinante, a Crise de 1929 foi o cenário para o colapso do poder das oligarquias tradicionais latino-americanas.
 As frequentes dissidências no seio das oligarquias, associadas à da crise do liberalismo, criaram um vazio de poder: as oligarquias já não conseguiam a unidade de poder como antes, as classes médias, a burguesia urbana e o proletariado eram ainda frágeis para assumirem o poder em seu próprio nome.
Neste vazio, nasceram e cresceram as forças do populismo, um estilo de poder cujo discurso propunha representar todas as classes e a defender  a economia nacional.

                                 TRÊS CONCEITOS DE POPULISMO

1) “… uma maneira determinada e concreta de manipulação das classes populares (…) um meio de expressão de suas inquietudes (…) uma forma de organização do poder pelos grupos dominantes e a principal forma de expressão política da ascensão popular no processo de desenvolvimento urbano e industrial”. (WEFFORT. IN: SAES, Décio. Industrialização, População e Classe Média no Brasil. p. 12.)

2) “Na América Latina não existe uma definição precisa de populismo; o uso corrente da palavra se refere, predominantemente, a movimento político de tipo urbano. Em sentido mais amplo, o populismo latino-americano pode definir-se como uma forma organizacional para sincronizar grupos de interesses divergentes, e se aplica a qualquer movimento não baseado em uma classe social específica”.(DI TELLA, Torcuato. IN: IONESCU e GELLNER (compiladores). Populismo.)

3) “O populismo se caracteriza como a ideologia das camadas médias já desembaraçadas da ascendência social das oligarquias e politicamente representadas pelo tenentismo nacionalista (…) numa conjuntura de transição capitalista periférica; todavia, o caráter embrionário das novas relações permite que o populismo penetre a classe operária em constituição e que se torne a sua forma essencial de expressão. (…) as forças do “compromisso” consagrarão objetivamente o populismo como estratégia política de desenvolvimento adequada a uma etapa de transição”.( SAES, Décio. Op. cit. p. 17)

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO POPULISMO NA AMÉRICA LATINA

Os três populistas mais importantes da América Latina são Perón, na Argentina, Cárdenas, no México e Vargas, no Brasil. A partir dos conceitos citados anteriormente, podemos estabelecer uma caracterização ampla de populismo para a América Latina. 
Perón e Vargas se apoiaram mais nos trabalhadores urbanos, deixando em segundo plano os camponeses. Cárdenas incluiu os trabalhadores rurais em seu programa, realizando uma reforma agrária no estilo populista, longe da defendida pelo Plano de Ayala dos campesinos zapatistas.  Todavia, há características comuns, a saber:
a) o populismo só aparece em uma determinada etapa do desenvolvimento do capitalismo. Esta etapa é a que marca a separação do trabalhador dos seus meios de produção;
b) o populismo revela antagonismos de classe, sobretudo crise de hegemonia na classe dominante, no caso latino-americano, as oligarquias agrárias;
c) o processo de formação do populismo se inicia com uma fase bonapartista e termina na fase nacionalista. Entende-se por bonapartismo uma luta pelo poder; uma procura de equilíbrio entre as classes sociais que participam da coalizão populista a partir da caracterização do “vazio político”; uma hipertrofia do Executivo, com a consequente submissão do Legislativo; uma tentativa de organização do poder além do aparelho estatal ou a incorporação, pelo aparelho de Estado, de sindicatos e partidos políticos. Entende-se por nacionalismo, como característica do populismo, por certa dose de anti-imperialismo, sobretudo contra os Estados Unidos; como uma concepção de desenvolvimento autônomo (como a criação da Petrobrás no Brasil e da Pemex, no México); uma exigência de participação das forças sociais que os regimes oligárquicos tradicionais haviam mantido à margem do processo político; uma preferência pela coalizão ou frentes à ação das classes sociais;
d) o populismo é um fenômeno predominantemente urbano;
e) o populismo é uma etapa específica na evolução das contradições entre a economia nacional (burguesia nacional) e a economia dependente (burguesia internacional).
Assim, podemos inferir que, para a América Latina, o populismo é um movimento político de tipo urbano, com forte apoio popular, que revela o antagonismo de classes e de encadeamentos de relações econômicas e relações políticas, numa conjuntura de transição capitalista periférica, que procura sincronizar grupos de interesses divergentes.
Especificamente na América Latina, o populismo deve ser visto no contexto do processo de desenvolvimento das relações de produção capitalista. Corresponde a uma etapa específica na evolução entre a sociedade nacional e a economia dependente. Aí, o governo populista procura uma nova combinação entre as tendências do sistema social – em mudança – e as determinações da dependência econômica.
Na América Latina, como em outras partes do mundo (Estados Unidos e Rússia czarista), o populismo corresponde à etapa final do processo de dissociação entre trabalhadores e os meios de produção. Entre a estrutura rural, tradicional – onde o campo predomina sobre a cidade – e a estrutura urbana moderna – onde a cidade predomina sobre o campo – há um momento de transição, no qual o fenômeno do populismo encontra perfeitas condições de correspondência. É no momento de transição, e somente no momento da transição, que o populismo revela suas características definidoras.
O populismo latino-americano pode, como o foi, ser organizado em termos de Partido Político. Os partidos populistas são, segundo Alan Angel, policlassistas, de massa e reformistas, em oposição aos partidos “tradicionais”.
Um conteúdo essencial do seu policlassismo é, obviamente, a aliança de classes, um determinado “pacto populista” em que ocorrem barganhas entre as classes componentes dessa coalizão. O líder populista, necessariamente carismático, fica com a função de intermediário dessas barganhas, inclusive aquelas realizadas entre as massas e os grupos economicamente dominantes. É desta forma que a coalizão populista tende a obscurecer as características de cada classe, valorizando as massas, “o povo”, igualando ideologicamente interesses heterogêneos.

O ESTADO POPULISTA
Dois são os aspectos importantes da coalizão: primeiro, que toda política populista paga um preço pela adesão popular, qualquer que seja a amplitude de sua capacidade de manipulação; segundo, que o “vazio político” deixado pelas oligarquias dissidentes, aliado à descaracterização das classes sociais, permite a ascensão do Estado Populista.
Não podemos localizar a gênese do Estado Populista apenas no plano interno. Vários fatores conjunturais estão no alicerce dessa formação, como, por exemplo, a reformulação das relações e das estruturas de dependência, como ocorreu na passagem do liberalismo clássico para o keynesianismo, após a crise de 1929.
O advento desse novo tipo de Estado representa não uma ruptura no processo histórico, mas apenas uma modernização, uma renovação de relações. Muda o relacionamento do Estado com a Sociedade – ou desta com aquele – mas não muda, no essencial, o caráter capitalista das relações de dominação e apropriação econômica, típica do sistema capitalista.
Dentro do Estado Populista, o peso político específico das classes que compõem a coalizão não é igual. A burguesia faz prevalecer seus interesses e sempre rompe com o pacto quando se põe em perigo a classe dominante ou as condições de reprodução do capital. O proletariado e as classes assalariadas entram na composição do pacto motivadas por razões econômicas imediatistas. Mas o Estado Populista, quando em fase cristalina, consegue manipular em seu proveito todas as vozes de todas as classes, pois todas elas – burguesia, proletariado e outras – estão em vias de formação. E se o Estado já é definidamente populista, também são manobradas as sobrevivências políticas do antigo e derrotado Estado Oligárquico. Não podemos nos esquecer que o Estado Oligárquico, a partir da intensa urbanização e incipiente industrialização – que aceleram a formação da estrutura de classes sociais –, havia ultrapassado seus limites históricos de sobrevivência e explodido, permitindo surgir, de suas entranhas, o Estado Populista.
Quando começa a ocorrer a predominância da cidade sobre o campo, há nova divisão do trabalho, pois o desenvolvimento das relações de produção capitalistas altera as feições e estruturas urbanas. As camadas urbanas, ao negarem a oligarquia, o imperialismo, a economia primário-exportadora, passam a representar as bases sociais das estruturas do poder emergente: o Estado Populista. “O Populismo aparece também como um modo de organização política das relações de produção numa época em que se expandem as forças produtivas e o mercado interno”.(IANNI, Otávio. A Formação do Estado Populista na América Latina, p. 135)
Mas é no corpo definidor do populismo que se encontra seu paradoxo, seu anticorpo. As classes sociais que constituem o pacto populista continuam a se desenvolver como tais ao longo da duração da coalizão. Muitas vezes, a ruptura do populismo se dá por causa das contradições desenvolvidas entre as classes que compõem o próprio populismo.
A ruptura da coalizão pode revelar a um só tempo: as condições precárias em que se verificou a aliança; o caráter não harmônico de uma aliança entre desiguais; o indício de que as classes sociais não se apagam, mas desenvolvem-se no curso da aliança; ao longo da experiência populista, as classes sociais amadurecem suas especificidades.
A experiência populista corresponde a uma fase, sem dúvida peculiar, no desenvolvimento das relações de acomodação e antagonismo entre as classes sociais participantes da aliança.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

TUPAC AMARU


                                   TUPAC AMARU

     José Gabriel Condorcanqui é o nome de batismo de curaca (cacique) peruano Tupac Amaru, descendente dos imperadores incas. Homem ilustrado (apaixonado pelas ideias iluministas), comandou a maior revolta indígena contra a Espanha, ocorrida entre 1780 e 1781.
     As causas desta e de tantas outras revoltas remontam ao processo de colonização. Os nativos eram vistos ideologicamente pelos colonialistas como descendentes de Cam, o filho de Noé, condenado à escravidão, segundo a Bíblia. Era a justificativa ideológica para o tratamento brutal contra os índios: a mita, a encomienda, as doenças, a dizimação pura e simples e o desprezo pela cultura nativa, em nome de Deus e do Rei de Espanha.
     Nas tropas de Tupac Amaru haviam, além de índios, muitos negros, mulatos e até brancos descontentes com a estrutura colonial. Depois de várias vitórias sobre as tropas espanholas, Tupac Amaru tentou tomar Cuzco, mas foi derrotado. Foi traído e entregue às autoridades espanholas. Tupac Amaru foi amarrado a quatro cavalos para ser esquartejado ainda com vida, mas resistiu de maneira heróica. Em 18 de abril de 1781, foi decapitado e esquartejado (como também o fora Atahualpa, por Francisco Pizarro).

     A violência ibérica não poupou a mulher de Tupac Amaru, nem seu filho mais velho, nem parentes próximos. Na praça de Huacaipata, a mais importante de Cuzco, foram mortos pelo garrote ou pela forca.

domingo, 4 de março de 2012

BLOQUEIO A CUBA: 50 ANOS


BLOQUEIO ECONÔMICO A CUBA

Em plena bipolarização trazida pela Guerra Fria, a Revolução Cubana trouxe o socialismo para a América, a poucas milhas de distância dos Estados Unidos, líderes do bloco capitalista.
Contra a vitória do povo cubano, os EUA passaram a hostilizar a revolução. Por exemplo, forçaram a expulsão de Cuba da OEA, organização dos Estados Americanos e patrocinaram o desembarque de contrarrevolucionários na praia de Girón, na Baía dos Porcos.
Enquanto isso, Cuba se aproximava da URSS, líder do bloco socialista. Fez parte desse processo a instalação de mísseis soviéticos em Cuba, operação descoberta pela espionagem norte-americana e que trouxe enorme tensão internacional, com a possibilidade concreta de iniciar a Terceira Guerra Mundial.
Foi nesse contexto que os Estados Unidos da América declararam, em 7 de fevereiro de 1962,  o bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba e forçaram os países de “seu” bloco a fazerem o mesmo. Portanto, neste ano de 2012, o embargo comemora 50 anos. É o mais longo da História Contemporânea. A invasão da Baia dos Porcos resultou em fracasso, a “Crise dos Mísseis” foi solucionada com a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba e, em contrapartida, de mísseis norte-americanos instalados na Grécia e na Turquia. Sobrou o bloqueio econômico.
Leia mais sobre a invasão na Baía dos Porcos em http://www.dw.de/dw/article/0,,800189,00.html e, sobre a Crise dos Mísseis em http://www.infoescola.com/historia/crise-dos-misseis-de-1962/
Assista ao vídeo sobre a invasão em

CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS E AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS

CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS
Preâmbulo
NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla.
E PARA TAIS FINS, praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição dos métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social de todos os povos.
RESOLVEMOS CONJUGAR NOSSOS ESFORÇOS PARA A CONSECUÇÃO DESSES
OBJETIVOS. Em vista disso, nossos respectivos Governos, por intermédio de representantes reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma, concordaram com a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida pelo nome de Nações Unidas.
CAPÍTULO I
PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS
ARTIGO 1 - Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer  ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz;
2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de
igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal;
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns.’

ARTIGO 111 - A presente Carta, cujos textos em chinês, francês, russo, inglês, e espanhol
fazem igualmente fé, ficará depositada nos arquivos do Governo dos Estados Unidos da
América. Cópias da mesma, devidamente autenticadas, serão transmitidas por este último
Governo aos dos outros Estados signatários.
EM FÉ DO QUE, os representantes dos Governos das Nações Unidas assinaram a presente
Carta.
FEITA na cidade de São Francisco, aos vinte e seis dias do mês de junho de mil novecentos e
quarenta e cinco.

SITUAÇÃO DO BLOQUEIO HOJE

O embargo a Cuba tem sido visto como um atentado contra o texto da Carta das Nações Unidas. Já foi condenado pela ONU em 16 oportunidades. Por exemplo, em 30 de outubro de 2007, a Assembléia Geral condenou o bloqueio, declarando: "determinada a encorajar o estrito cumprimento dos objetivos e princípios consagrados pela Carta das Nações Unidas" (...) e "reafirmando, dentre outros princípios, a igual soberania das nações, a não-intervenção e a não interferência em seus assuntos internos "(..) 
Apenas quatro países continuam com o bloqueio, os próprios Estados Unidos, seu aliado Israel, Palau e as Ilhas Marshal.

Leia mais sobre a Revolução Cubana neste blog.


domingo, 25 de setembro de 2011

CHILE, 11 DE SETEMBRO DE1973











Em 11 de setembro de 1973, foi encerrada a experiência do único governo socialista eleito democraticamente na América Latina. Caiu Salvador Allende, Presidente do Chile, num golpe de Estado que desembocou na ditadura militar liderada por Augusto Pinochet.

No livro História das Sociedades Americanas, de Rubin Aquino e outros, encontramos: “Pode-se dizer que o Dia da Traição – como ficou conhecido o 11 de setembro – amanhecera muito antes: nasceu nas mansões da burguesia, dispostas a destruir a institucionalidade democrática, para não perder seus privilégios; nasceu nos escritórios das grandes empresas norte-americanas e da CIA (...); nasceu nos quartéis e nos cassinos oficiais (...); nasceu nas redações dos jornais de direita (...); nasceu nos corredores do Congresso (...); nasceu nas reuniões secretas da Opus Dei, da Pátria e Liberdade, e de outras organizações de caráter fascista.”

Clóvis Rossi, em seu livro A Contrarrevolução na América Latina, diz: “O governo norte-americano da época, chefiado por Richard Nixon, participou ativamente dessa conspiração (...). O governo [do Chile] foi vítima de uma grande desestabilização muito bem conduzida, inclusive com o apoio de oito milhões de dólares enviados pelos Estados Unidos (...).”

CONTEXTO INTERNACIONAL: GUERRA FRIA
Até o final na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética era o único país socialista. A partir daí, o socialismo avançou muito, chegando, por exemplo, à Polônia, Estônia, Lituânia, Letônia, Iugoslávia, Checoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, China, Vietnã do Norte, Coréia do Norte.
Contra essa expansão socialista, os Estados Unidos lançaram a Doutrina Truman, em 1947, e passaram a combater de todas as formas as lutas progressistas e antiimperialistas em todos os continentes. No caso da América Latina, “(...) o imperialismo dos EUA esforçava-se para deter com quaisquer meios a ascensão do movimento democrático antiimperialista no continente e com esse objetivo tomou uma série de medidas militares e políticas. Assim, em 1947, no Rio de Janeiro, foi assinado o Pacto de Defesa do Hemisfério (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca – TIAR); preparava-se a reorganização da União Pan-Americana; em 1948 foi criada a Organização dos Estados Americanos (OEA), destinada a ser durante muitos anos um dos meios políticos da ingerência dos EUA nos assuntos internos dos Estados latino-americanos. Os EUA organizaram, com esse objetivo, golpes reacionários em uma série de países da América Latina: Bolívia (1946), Venezuela (1948), Equador (1946), Nicarágua (1947), Costa Rica (1948), El Salvador (1948), Peru (1948), Colômbia (1949) e Cuba (1952). Sob a pressão dos EUA, começou a ser proibida a atividade dos Partidos Comunistas e organizações sindicais progressistas.” (KUDATCHKINE, M. Chile: Experiências de Luta Pela Unidade das Forças de Esquerda e Por Transformações Revolucionárias)

OS ANOS DE 1940 E 1950 NO CHILE
Em 1948, o governo conservador do Chile publicou a “Lei da Defesa da Democracia”, que passou a ser conhecida popularmente como a “Lei Maldita”, contra o crescimento do movimento operário. Milhares de chilenos foram violentamente perseguidos, mortos ou presos em verdadeiros campos de concentração. Pablo Neruda demonstrou a indignação do povo: “Eu acuso o presidente Gonzáles Videla de empenhar-se em uma guerra inútil e estéril contra o povo e o pensamento popular do Chile, e de querer dividir artificialmente os chilenos.”
Em 1953, reagindo ao refluxo forçado do movimento sindical, nasceu a CUT (Central Única de Trabalhadores do Chile). Várias forças democráticas e populares se juntaram: católicos, comunistas, socialistas, radicais e independentes. A “Declaração de Princípios do II Congresso da CUT” dizia: “Os trabalhadores do Chile, independentemente de ideologias, credos religiosos, sexo e nacionalidade, consideram a Central Única de Trabalhadores o mais eficiente instrumento na luta pelos direitos sociais e pela unidade monolítica. A Central Única de Trabalhadores é um importante meio de luta contra a grande burguesia, a oligarquia antinacional e o imperialismo, contra as repressões e a miséria.”
Em 1956, as forças populares evoluíram com a formação da FRAP – Frente de Ação Popular, da qual faziam parte trabalhadores, setores das classes médias intelectuais e estudantes. O imperialismo norte-americano e a crise econômica serviram de argamassa dessa união que provocou um avanço qualitativo no processo de organização popular e democrático.
Em 1958, Jorge Alessandri venceu as eleições contra o candidato socialista Salvador Allende. Era a reação das oligarquias e do imperialismo ao crescimento do movimento popular. As forças reacionárias e conservadoras aglutinavam-se no PDC – Partido Democrático Cristão.

ECOS DA REVOLUÇÃO CUBANA
Em janeiro de 1959, a Revolução Cubana, partindo de Sierra Maestra, chegava em Havana, enquanto o ditador Fulgêncio Batista abandonava Cuba. Os guerrilheiros, força avançada das massas populares, chegaram ao poder.
No início dos anos 60, o povo e o governo revolucionário derrotaram, na Baía dos Porcos, as forças invasoras reacionárias patrocinadas pela CIA e pelo governo norte-americano. Derrotadas nas armas, as forças da reação expulsaram Cuba da OEA e iniciaram o bloqueio econômico após a chamada “Crise dos Mísseis”.
Para muitos analistas, os EUA entregaram Cuba em uma bandeja para a URSS: isolada pelo bloco capitalista da Guerra Fria, Cuba declara o caráter socialista de sua revolução.
No cenário da bipolarização mundial, o socialismo chegava à América Latina, vitorioso e a poucas milhas do líder do bloco capitalista. E servia de espelho, de fonte de inspiração, para progressistas não só do Chile, mas de toda a América Latina e do mundo dominado pelo imperialismo.
Contudo, os ecos de Sierra Maestra também despertaram uma atitude contrarrevolucionária do imperialismo. Nos Estados Unidos, nascia a Aliança Para o Progresso, uma tentativa de impedir que outras Cubas surgissem, ou, no dizer da época, impedir que “novas ilhas de insanidade” despontassem.

OS ANOS DE 1960 NO CHILE
No Chile, a crise típica de uma economia satelitizada tornava-se aguda: inflação, desemprego, redução da produção agrícola, dívida externa, domínio externo da produção de cobre, do salitre, do ferro, da eletricidade, do petróleo, da indústria química. No campo, 0,7% dos proprietários possuíam 61,6% das terras cultiváveis. Tal quadro era o terreno fértil para crescerem as críticas nacionalistas, progressistas e socialistas.
O pulsar silencioso da revolução levou as classes conservadoras a adotarem o discurso da mudança. Ou seja, como em muitas oportunidades, o conservadorismo adotou o discurso da “revolução” para realizar reformas que nada mudavam a essência estrutural. O PDC lançou o programa conhecido por “Revolução em Liberdade”, que tinha de tudo, menos revolução. Apoiado na alta burguesia, no imperialismo ianque, em vários setores da classe média e na Igreja Católica, o PDC venceu as eleições de 1964, levando Eduardo Frei à Presidência da República.
Rubin Aquino, em seu livro citado nos ensina: “A política desenvolvimentista do governo Frei, no entanto, resultou em uma efetiva adequação do país à penetração do capital estrangeiro, especialmente o norte-americano.” A respeito desse governo, uma revista norte-americana de negócios, a Hanson’s American Letters, assim se pronunciou: “Nenhum governo de extrema direita tratou com mais generosidade com que o fez Frei às empresas norte-americanas.”
As tensões sociais desembocaram em muitas greves, entre 1967 e 1969. A repressão foi violenta, e, como escreveu E. Gonzáles em La Tragédia Chilena, “a Revolução sem sangue que prometeu Frei se transformou ao final em sangue sem Revolução.”
Diante da violência do governo, o movimento popular entrou numa fase ofensiva, apoiado nas massas, na pequena burguesia nacional, na intelectualidade e nos estudantes. Desta forma, estruturou-se a UP – Unidade Popular, que venceu as eleições de 1970, com Salvador Allende.

O GOVERNO DA UNIDADE POPULAR
Já eleito, Salvador Allende discursou em 5 de setembro de 1970: “Foram o homem e a mulher anônimos do Chile que tornaram possível este fato socialmente transcendente. Milhares de chilenos semearam com sua dor e sua esperança esta hora que pertence ao povo. E em outras fronteiras e outros países, a vitória alcançada é vista com profunda satisfação. O Chile apresenta uma alternativa para outros povos da América e do mundo. A força vital da unidade romperá os diques das ditaduras e abrirá caminho para que os povos possam ser livres e construir o seu próprio destino. (...) se a vitória não foi fácil, difícil será a consolidação do nosso triunfo e a construção da nova sociedade, da nova convivência social, da nova moral e da nova pátria.”
O nacionalismo e o estatismo marcaram, desde o início, o governo de Allende. Nacionalizou a mineração e o beneficiamento do cobre, então responsável por 80% da renda em moedas estrangeiras. Estatizou quase todo sistema bancário, as indústrias têxteis, siderúrgicas, as comunicações. A reforma agrária revolucionou o campo, estabelecendo em 80 hectares o limite máximo da propriedade das terras agricultáveis.
Ainda no primeiro ano do governo da Unidade Popular, o desemprego caiu para menos da metade, cresceu a produção de alimentos e de outros produtos, aumentou o poder aquisitivo dos trabalhadores e o analfabetismo foi reduzido.
Tais resultados favoreceram a vitória das forças democráticas e progressistas nas eleições municipais e na reforma constitucional de 1971, que estatizou todas as riquezas do subsolo chileno.
Todavia, diante do avanço das forças populares, articularam-se as forças de reação, com as oligarquias rurais, as elites financeiras e industriais, todas ligadas, em maior ou menor grau, ao imperialismo norte-americano. O governo Nixon, a CIA (Central de Inteligência Americana) e muitas empresas norte-americanas envolveram-se diretamente nos planos de desestabilização do governo popular de Allende, aliás, desde antes de sua posse. “O grau de decisão visando a provocar a queda do governo arrastou a classe dominante chilena até medidas de extrema criminalidade: trezentas mil cabeças de gado foram contrabandeadas para a Argentina; promoveu-se a matança indiscriminada de reses destinadas à reprodução; milhares de hectares de terra ficaram sem semear (...) dez milhões de litros de leite foram atirados aos rios e nas estradas (...) A dimensão do ódio era tamanha que se preferia o dilúvio a Allende.”(ALTAMIRANDO, C. Dialética de Uma Derrota). Segundo um jornalista norte-americano, em depoimento posteriormente confirmado por um diretor da CIA, “Lançar o Chile em um verdadeiro caos econômico era a palavra de ordem da burguesia e do imperialismo.” (Citado por Rubin Aquino, em seu livro História das Sociedades Americanas).
A proposta da UP de chegar ao socialismo sem luta armada foi interrompida pela organização de grupos fascistas violentos, armados e financiados pelos dólares norte-americanos. Enquanto isso, mais uma vez, as urnas deram a vitória às forças populares em novembro de 1972, reforçando suas posições no Congresso.
Porém, a partir de 1973, as Forças Armadas passaram a deixar claro seu papel golpista, a fim de derrubarem o governo pelas armas, já que não conseguiam pelo voto. Vários atentados terroristas e de sabotagem se somaram ao bloqueio econômico norte-americano e às paralisações do sistema de transportes.
A crise se aprofunda com a divisão interna das forças da UP. A esquerda radical pretendia a tomada do poder político através das armas para acelerar o processo de chegada ao socialismo. Mas o governo Allende não aceitava a hipótese de ruptura institucional: “Companheiros trabalhadores: temos que nos organizar. Criar e criar o Poder Popular, porém não antagônico nem independente do governo, que é a força fundamental e a alavanca que têm os trabalhadores para avançar no processo revolucionário.” (Salvador Allende, informe ao povo sobre um frustrado golpe de militares em junho de 1973, em Chile: História de una Ilusión). Ainda sobre a divisão interna das forças da Unidade Popular, Allende fala aos dirigentes dos partidos de esquerda, em julho de 1972: “Cada partido deve se preocupar em elevar o nível ideológico de seus militantes, de sua disciplina, e impulsionar a estratégia comum da Unidade Popular, base do governo dos trabalhadores. Há apenas um só governo, este a que eu presido, e que não somente é o único legitimamente constituído, mas, por sua definição, e conteúdo de classe, um governo que serve aos legítimos interesses dos trabalhadores. E com a mais profunda consciência revolucionária, eu não permitirei que nada nem ninguém atente à plenitude do governo legítimo do país.”

Entretanto, a via pacífica, institucional, se esgotou. A fragilidade da UP se revela no fato de que, embora o Poder Executivo estivesse em suas mãos, nucleadas em Allende, o Legislativo e o Judiciário não estavam. E o movimento popular, democrático e pacífico pagou um preço alto ao acreditar na tradição de que os quartéis são apolíticos e fiéis ao seu papel institucional de defesa da Constituição e da legalidade: “enquanto a classe operária ganhava votos, o sistema ganhava fuzis”, nos dizeres de Altamirando, em obra citada.

11 DE SETEMBRO DE 1973: CONSUMADA A TRAGÉDIA
Na madrugada de 11 de setembro de 1973, partindo de Valparaíso, uma ação conjunta das três forças armadas iniciou o cerco a Santiago, especialmente ao Palácio de La Moneda. O Presidente Allende defendeu seu governo, desta vez, e pela primeira vez, de armas na mão. Morreu durante o combate. Em sua última mensagem ao povo, declarou: “Os generais traidores não sabem o que é um homem honrado. Assim se escreve a primeira página desta história. Meu povo e a América escreverão o resto!”

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

11 DE SETEMBRO



Em 11 de setembro de 1973, em plena Guerra Fria, um golpe militar apoiado abertamente pelos Estados Unidos da América, derrubou o Presidente Salvador Allende do Chile. Instalou-se uma ditadura militar burguesa, liderada pelo General Augusto Pinochet.


Neste blog, há um texto sobre a História recente do Chile, para aprofundar as análises desse golpe que colocou fim à única experiência de um governo popular e socialista eleito democraticamente. Publico um vídeo narrado por alguém que passou pelo golpe e faz comparações humanistas com o 11 de setembro dos EUA.





http://www.youtube.com/watch?v=7vrSq4cievs

domingo, 14 de agosto de 2011

DÍVIDA EXTERNA E DÍVIDA ETERNA












“Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos. O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros. Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que, entre os anos 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos de minha terra. (...)
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus. Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, perguntamo-nos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhe adiantamos. Lamentamos dizer que não. Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros Reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN. (...)
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros. É para seu próprio bem. Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros ao ano que vocês impõem ao Terceiro Mundo. Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento ao ano sobre os 500 anos. Lamento dizer, mas a dívida europeia para conosco, índios, pesa mais que o planeta Terra!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo. Entretanto, há sempre uma saída: entregue-nos a Europa inteira como primeira prestação de sua dívida histórica.”




(Atribuído ao índio Guaicaipuro Cautémoc ao reinvidicar opagamento da “dívida externa”da Europa

domingo, 1 de maio de 2011

HAITI: OS LIMITES DO LIBERALISMO, O JACOBINISMO E O DARWINISMO SOCIAL




  • O iluminismo foi a ideologia das Revoluções Burguesas, das Revoluções Atlânticas, que marcaram a transição do capitalismo comercial mercantilista para o capitalismo industrial liberal. Na Europa, centro do sistema, a classe burguesa estava suficientemente forte para liderar as forças de transformação e superação do Antigo Regime. Assim foi na Revolução Puritana, na Revolução Gloriosa, na Revolução Industrial, na Revolução Francesa e outras até o século XIX. Assim também foi na Independência dos Estados Unidos.

  • Fundamentado na Razão burguesa, o liberalismo tinha seus limites. Derrubar o Antigo Regime, sim; atender às reivindicações das massas, não. Assim foi com os “Niveladores” ingleses e com os “Iguais” de Graco Babeuf na França, apenas para citar dois exemplos. Assim também foi com os escravos dos Estados do Sul, nos Estados Unidos. Para estes, liberté, freedon, não.

  • A burguesia não permitiu o avanço revolucionário, esmagou a revolução dentro da “sua” revolução e limitou as mudanças às suas próprias conveniências de classe. Na América Latina, naqueles tempos de rebeliões, não havia uma classe burguesa, como havia na Europa. A liderança do processo ficou nas mãos da elite agrária, da aristocracia rural, enfim, dos grandes proprietários de terras e de escravos. Para essa liderança, a “revolução” significava romper com a metrópole, mas preservar as estruturas internas que a beneficiavam, ou seja, manter a plantation e, com ela, a escravidão. O liberalismo tinha seus limites e as novas nações independentes preservaram o passado colonial interno, ao sabor dos interesses dos caudilhos e coronéis.

  • O maior avanço ocorreu na Convenção Jacobina, liderada pela pequena e média burguesia. Foi a fase mais popular e mais radical da Revolução Francesa, marcada pela República, pelo congelamento dos preços, pela execução do rei na guilhotina, pelo Terror e pelo fim da escravidão nas colônias. Tais avanços tiveram curta duração. A alta burguesia retomou o poder e a reação burguesa anulou grande parte da obra jacobina, inclusive o fim da escravidão. Contudo, o passado e o futuro ameaçavam o presente da alta burguesia reacionária. O passado era representado pelas revoltas da nobreza, desejosa da volta do Antigo Regime, apoiada por monarcas absolutistas de outras nações. O futuro era consubstanciado nas revoltas populares dos sans-culottes e dos camponeses, numa reedição das jacqueries do século XIV.

  • Assim, ameaçada por forças que ela não soube derrotar, a alta burguesia francesa preferiu ir para os bastidores do poder, colocando Napoleão Bonaparte na frente do palco político. Nascia, com o golpe de 18 do brumário, a ditadura militar burguesa, o bonapartismo. Para as revoltas internas, a paz da baioneta.
    Contraditoriamente, mas dentro da lógica da alta burguesia francesa, Napoleão espalhou o liberalismo pelo continente europeu, derrubando governos absolutistas e, ao mesmo tempo, enviou suas forças repressoras contra o liberalismo jacobino de negros e mulatos do Haiti. Liberté, Fraternité, Egalité, sim; exceto para os “homens de cor”.

  • Nos Estados Unidos da América, Tomas Jefferson orgulhava-se da liberdade conquistada em 1776, contra a poderosa metrópole Inglaterra. Mas recusou-se a abolir a escravidão e a reconhecer a independência do Haiti. Freedon, sim; exceto para os “homens de cor” de seu próprio país e do Haiti.

  • No coração do mundo católico, o papado de Roma discursa sobre a igualdade dos homens, fraternidade e justiça social. Estendeu seu discurso aos nascentes países, reconhecendo a independência das novas nações latino-americanas, do Brasil e da América Espanhola, todos católicos. Mas não reconheceu a independência do Haiti. Independência de novas nações católicas, sim; dos católicos negros e mulatos do Haiti, não.

  • E, mesmo na América Latina, Simon Bolívar, um dos líderes maiores da luta pela independência, pela liberdade, um dos “Libertadores da América”, não convidou o governo do Haiti para o Congresso do Panamá, em 1826, onde foi discutida a integração dos novos países. Pan-americanismo, sim, exceto para uma nação de “homens de cor”, governada por ex escravos, mas tão latino-americana quanto as outras.

  • Entre 1791 e 1804, ocorreu a Revolução Haitiana, marco da luta negra pela liberdade e pelo reconhecimento dos valores africanos. Toussaint Louverture, o Espártaco Negro, liderou seu
    povo no início do movimento libertário. Caiu nas mãos de Charles Lecrerc, comandante e cunhado de Napoleão Bonaparte. Morreu em um cárcere francês.

  • Os jacobinos negros passaram para o comando de Jean Jacques Dessalines. As tropas francesas foram derrotadas militarmente e pela febre amarela, que ceifou, inclusive, o próprio Lecrerc. Em 1804, o Haiti estava independente e livre da escravidão. A “Terra Montanhosa”, na língua indígena do local, tornava-se o primeiro país negro livre do mundo, a primeira nação latino-americana livre do domínio metropolitano.
    Nascia também o fantasma da haitianização, assombrando as elites escravocratas da América e a alta burguesia europeia e norte-americana. A França de Napoleão fora derrotada, muitos anos antes da derrota napoleônica na campanha na Rússia e da derrota em Waterloo.

  • Por necessidade de reconhecimento internacional, o governo haitiano aceitou a imposição francesa de uma indenização pesadíssima de 150 milhões de francos suíços, depois reduzida. Eram os tempos do Congresso de Viena e da Santa Aliança. Era também o tempo de James Monroe, nos Estados Unidos da América. Mas a Doutrina Monroe não reconheceu o Haiti. América para os americanos, sim, exceto para os “americanos de cor”, de seu próprio país e do Haiti. Os Estados Unidos, desde Jefferson, proibiram o comércio com o Haiti, seguindo os passos da França e da Espanha.

  • Somente durante a Guerra de Secessão, com Lincoln na presidência, os Estados Unidos acabaram com a escravidão interna e reconhecerem o Haiti. A Igreja Católica só o fez em 1864, e a Colômbia em 1870. O mundo estava entrando na segunda metade do século XIX e adicionava-se ao temor do haitianismo o darwinismo social, do qual o próprio Darwin não tem culpa nenhuma. Sua teoria foi corrompida pelos interesses imperialistas e neocolonialistas da alta burguesia. Se, por um lado, o mundo ganhava o tripé científico composto por Marx, Darwin e Freud, ganhava também a falácia da “missão civilizadora do homem branco”.

  • Para a liberdade do Haiti e de outros povos explorados da América Latina, era o tempo dos mariners norte-americanos, armados com seu big stick. Para os povos explorados da África e da Ásia, era o tempo da “superioridade natural, de origem divina, dos homens brancos”. 

  • Não só de terremotos alimenta-se a tristeza haitiana.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Carta de Emiliano Zapata

"Muito ganharíamos, muito ganharia a humanidade e a justiça, se todos os povos da América e todas as nações da velha Europa compreendessem que a causa do México Revolucionário e a causa da Rússia são e representam a causa da humanidade, o interesse supremo de todos os povos oprimidos. (...) Aqui como lá, existem grandes senhores, desumanos, gananciosos e cruéis que vêm explorando de pais a filhos até a tortura as grandes massas camponesas. E aqui como lá os homens escravizados, os homens de consciência adormecida, começam a despertar, a sacudir-se, a agitar-se, a castigar. (...) Não é de se estranhar, pelo mesmo, que o proletariado mundial aplauda e admire a Revolução Russa, do mesmo modo que outorgará toda a sua adesão, sua simpatia e seu apoio a esta Revolução Mexicana, ao dar-se cabal conta de seus fins" (Carta de Emiliano Zapata ao General Genaro Amescua, Tlaltizapán, Morelos, em 14 de fevereiro de 1918).

Textos de História da América


“Onde estão hoje os pequot? Onde estão os narragansett, os moicanos e muitas outras tribos outrora poderosas? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante do sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta? Renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!” (Texto do índio Tucumseh, da tribo dos shawnees, citado no livro de D. Brown, Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, da Editora Melhoramentos).


“Pobre México, tão longe de Deus, tão próximo dos Estados Unidos” (Lázaro Cárdenas, presidente do México de 1934 a 1940)

“De 1770 a 1840, a corrida para o Oeste cresceu(...) Enxmes de gente que procurava terras baixaram sobre o vale do Mississipi. (...) Homens solteiros faziam o baú e partiam; famílias inteiras faziam o baú e partiam; cidades inteiras faziam o baú e partiam. A América estava de mudança. Em 1770, havia 5000 pessoas a oeste dos Apalaches; em 1840, havia 8 milhões.” Texto do livro Nós, o Povo, de Leo Huberman).

“Em todos os sistemas sociais, é preciso haver uma classe para desempenhar as tarefas indignas, para fazer o que é monótono e desagradável (...) Nós a chamamos escravos(...) Não chamarei a classe existente no Norte usando esse termo; mas vocês também os possuem; estão em toda parte; são eternos (...) A diferença, entre nós, é que os escravos são contratados pela vida toda, e são bem recompensados; não há fome, nem mendicância, nem desemprego entre nós, e nem excesso de empregos, também. Os de vocês são empregados por diárias, não são bem tratados, e têm escassa recompensa, o que pode ser provado, da maneira mais deplorável, a qualquer hora, em qualquer rua de suas cidades. Ora, pois a gente encontrava mais mendigos em um dia, em uma só rua de Nova Iorque, do que os que se encontram durante toda a vida no Sul inteiro.” (Parte do discurso do Senador Hammond, da Carolina do Sul, citado por Leo Huberman em seu livro Nós, o Povo)


“Chegou o momento em que percebi que a escravidão deveria morrer para que a Nação pudesse viver!” (Parte de discurso de Abrahan Lincoln, pronunciado em 22 de julho de 1863)

“Os Estados sulistas foram reintegrados à União, tiveram que reconhecer a abolição da escravidão(...) Economicamente, o Sul foi mais afetado do que o Norte; muitas de suas plantações haviam sido arrasadas, outras foram confiscadas, havia falta de mão-de-obra, pois muitos negros emancipados fugiram(...) Em contraposição, o desenvolvimento econômico do Norte e do Oeste foi considerável: mesmo durante o conflito e apesas da inflação, as necessidades bélicas incrementaram a industrialização, possibilitando inclusive a formação dos primeiros trustes, ligados aos Rockfeller, Carnegie, Morgan.” (Citado no Livro História das Sociedades Americanas, de Rubin Aquino e outros)
“Assim, a política transformou-se numa mera extensão dos negócios de cada grupo oligárquico, facilitando o aparecimento dos caudilhos – (...) Isso facilitou a penetração imperialista. Por essa razão, os grupos de tendência nacionalista, que defendiam tarifas protecionistas (...) acabaram suplentados pelos que privilegiavam o livre-cambismo.(...) O último quartel do século XIX marcou o início da expansão norte-americana sobre a América Latina e a gradual retração britânica nesses mercados(...) Através da compra de territórios pelos trustes, os principais recursos naturais foram sendo diretamente controlados pelos estrangeiros, não contribuindo para o desenvolvimento interno dos países latino-americanos(...) Caso alguma autoridade impedisse o funcionamento desse sistema, os Estados Unidos intervinham militarmente, de acordo com a política do Big Stick (...) Dessa forma, os Estados nacionais latino-americanos foram se consolidando sempre na dependência do estímulo estrangeiro, subordinado pela divisão internacional do trabalho à condição de marcados agroexportadores. (do livro História Moderna e Contemporânea, de Alceu Luiz Pazzinato e Maria Helena Valente Senise, da Editora Ática)

Leia mais e aprofunde seus conhecimentos, pesquisando.
01. O que foi o Compromisso de Missouri, de 1820?
02. Assista aos filmes:
E o Vento Levou, de Victor Fleming, de 1939
Rio Bravo, de John Ford, de 1950
O Terror do Dr. Mudd, de Paul Wendkos, de 1980
Em Busca do Ouro, de Charles Chaplin, de 1925
Pequeno Grande Homem,deArther Penn, de 1970
Dança com Lobos, de Kevin Costner, de 1990
03. Quem foi Touro Sentado?
04. Leia o livro A Cabana do Pai Thomás, de Harriet Stowe
05. Qual a relação entre Colômbia, Canal do Panamá e Big Stick?
06. O que foi a Emenda Platt e qual sua ligação com a política do Big Stick?
. Em 1912, o presidente Willian H. Taft afirmou : ”Não está longe o dia em que três bandeiras de listras e estrelas marcarão em três lugares a extensão de nosso território: uma no Polo Norte, outra no Canal do Panamá e a terceira no Polo Sul. Todo o hemisfério será nosso, de fato, como, em virtude de nossa superioridade racial, já é nosso moralmente’.

A. A AMÉRICA LATINA

  1. Entre a década de 30 e a de 60, a América Latina foi marcada por governos populistas, tais como Vargas, no Brasil, Juan Domingos Perón, na Argentina, Lásaro Cárdenas no México e outros.
  2. O populismo foi possível graças à crise das oligarquias tradicionais e a inexistência de uma classe que, sozinha, pudesse assumir o Estado em seu próprio nome. Era um vazio de poder que líderes carismáticos preenchiam, com um discurso policlassista , nacionalista e reformista. O Estado populista protegeu, de fato, a burguesia, mas falava em nome do povo. Tornou-se o árbitro das questões sociais e promulgava leis trabalhistas, carreando as massas para o aparelho de Estado.
  3. A urbanização e a abertura de indústrias criam um ambiente favorável ao desenvolvimento das classes sociais que, enquanto classes, têm reivindicações próprias: o proletariado, as classes médias urbanas e a burguesia. O colapso do populismo dá-se a partir daí: o Estado deve optar por uma das classes, ferindo interesses de outras.
  4. Em plena Guerra Fria, o nacionalismo reformista dos populistas é confundido como esquerdizante e como ameaça à democracia. Por isso, tantos golpes de Estado, todos com o dedo, senão com o canhão de Tio Sam. Os casos do Brasil, do Chile, da Argentina e do Uruguai são bem elucidativos do colapso de governos populistas.
  5. O novo modelo econômico pretende um crescimento acelerado da economia, baseado no capital externo (endividamento), nas empresas multinacionais (desnacionalização da economia), nas Empresas Estatais (intervenção do Estado na economia), na concentração da renda (para aumentar a capacidade de reinvestimento da burguesia) e no arrocho salarial (para transferir renda para as elites econômicas nacionais e internacionais) .
  6. Para impedir, ou tentar impedir oposições sérias ao novo modelo econômico, a América Latina viveu sob ditaduras militares burguesas, ou seja, o bonapartismo foi uma forma da burguesia, ameaçada anteriormente pelo crescimento da esquerda, deixar a frente do palco político, ir para os bastidores, enquanto os militares ditavam as leis. A América Latina, assim, continua a ser satélite do capitalismo, agora liderado pelos EUA.
  7. A Revolução Cubana de 1959 retira a ilha do mundo capitalista, consolidando o socialismo a poucas milhas de Miami. Derrotados nas tentativas de derrubar a Revolução, os EUA impõem um bloqueio econômico a Cuba. Enquanto existiu, a URSS foi a saída econômica para um país que lidera a América em vários setores socialmente positivos como alfabetização, saúde pública, inclusão social...