segunda-feira, 13 de junho de 2011

SOCIALISMO CIENTÍFICO (MARXISMO)

A Revolução Industrial criou novas relações sociais de produção, com a formação de duas classes dialeticamente antagônicas: a burguesia e o proletariado. A primeira é a proprietária dos meios de produção e a segunda é a proprietária da força de trabalho, que é vendida ao capitalista pelo preço do mercado.
A burguesia apropria-se do excedente de produção do trabalhador e o transforma em lucro individual. Quando se diz “sensibilizada” pela Questão Social, toma atitudes no máximo reformistas pois, de fato, não quer alterar as relações mais profundas que causam a Questão Social.
O proletariado, por sua vez, tenta solucionar os problemas que o atingem lutando e formulando outras teorias, algumas apenas reformistas, outras revolucionárias. Fazem parte desse processo o socialismo utópico (Robert Owen, Jacques Fourier, Saint-Simon,), o ludismo (“Ned Ludd”), o fabianismo (Bernard Shaw), o anarquismo (Proudhon, Bakunin, Malatesta, Tolstoi, Kropotkin) e o socialismo científico (Marx e Engels).
Os principais pensadores do socialismo científico são Karl Marx (1818 a 1883) e Friederich Engels (1829 a 1895) e, entre suas obras cabe destacar: Manifesto Comunista (1848), Contribuição à Crítica da Economia Política (1859) e O Capital (1867). Analisando a realidade social concreta, concluíram ser ela dinâmica e dialeticamente contraditória, pois o avanço técnico trazido pela grande indústria permitia um domínio crescente do homem sobre a natureza, possibilitando o progresso e o enriquecimento de alguns homens, enquanto os trabalhadores eram cada vez mais explorados, empobrecidos, alijados dos bens materiais necessários para a vida. Concluíram que, para entender a sociedade e explicar sua evolução, era fundamental estudar os fatores materiais, ou seja, econômicos e técnicos e a forma como os bens eram produzidos.
No processo de produção de bens, os homens estabelecem relações entre si, que são chamadas relações sociais de produção. Essas relações são diferentes nos vários períodos históricos da humanidade. Assim, “o que distingue as épocas econômicas uma das outras não é o que se faz, mas sim como se faz.” No capitalismo, o trabalho humano vem sendo substituído pela máquina, e o trabalhador perde o controle sobre os instrumentos de trabalho e fica absolutamente sujeito ao ritmo, à eficiência e ao tipo de atividade que lhe é imposto por uma máquina, que não é sua propriedade, mas é propriedade privada do burguês. Assim, os proprietários dos meios de produção passam a controlar de forma total e definitiva o processo de produção. A máquina e o que ela significa acabam submetendo totalmente o operário aos donos do capital.
Os marxistas levantam ainda o conceito de forças produtivas, que são a energia com que a sociedade conta para produzir, sendo constituídas de todos os elementos que intervêm na produção material: a força de trabalho e os meios com que se trabalha. As forças produtivas são as forças que resultam da combinação dos elementos do processo de trabalho sob determinadas relações de produção. O seu resultado é uma determinada produtividade do trabalho.
Ocorre que, diferente do trabalho artesanal, em que apenas um indivíduo produzia uma peça inteira, no capitalismo industrial, a divisão técnica do trabalho especializa o trabalhador num determinado setor da produção, e o produto final é o fruto da socialização das forças produtivas. Assim, o produto é o resultado da socialização do trabalho.
Agora podemos entender o que Marx afirmou como sendo a “contradição fundamental do capitalismo”: o caráter cada vez mais social das forças produtivas e a propriedade privada dos meios de produção cada vez mais concentrada. Para o marxismo, ao desenvolver-se a contradição fundamental do sistema capitalista, vão-se criando, cada vez mais, as condições materiais e sociais que permitem sua superação. O crescimento do número de indústrias, a industrialização, o capitalismo “avançado” não se fazem sem aumentar o número de operários e sem concentrá-los dentro de cada fábrica e na sociedade. Os operários criam “consciência de classe”, pois, de fato, constituem uma classe dialeticamente antagônica aos donos dos meios de produção, que se apropriam privadamente das riquezas produzidas socialmente pelas mãos dos operários. Por isso, Marx afirma: “O sistema capitalista cria seus próprios coveiros”. E afirma, ainda, que a união do proletariado fará a verdadeira revolução. Por isso, a famosa frase: “Trabalhadores de todos os países, uni-vos!

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